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O espaço do diálogo na construção da confiança

O termo “cultura colaborativa” sempre me inspira. Ele pressupõe fazer coisas em conjunto, estar aberto ao outro. Não há maneira de criar cultura sem passar pela discussão sobre o diálogo, sobre o “estar-junto”.

Colaborar, da mesma forma, pressupõe um movimento contínuo de gente falando com gente. Onde há olho  no olho, há a possibilidade  de construção de coisas  melhores – um melhor  ambiente de trabalho, melhor relação com o cliente, melhores cidades para vivermos.

Embora pareça um  movimento bem simples, dialogar dá um certo trabalho.

Exige abertura para entendermos a perspectiva do outro – que pode ser diferente da nossa –, simpatia para acolhermos essas ideias e, claro, disposição para fazer com que estas ideias saiam do universo do pensamento e sejam convertidas em ações práticas que melhorem o nosso entorno.

Estar disposto a dialogar também não quer dizer que não enfrentaremos conflitos, dilemas ou dificuldades de decidir o que é melhor pra todos os envolvidos. Tudo isso pode existir na busca de um resultado que seja considerado satisfatório ou interessante para todos os envolvidos.

Diálogo não é fim, e sim meio. É um meio que nos permite muitas descobertas.

Podemos dizer, ainda, que há um elemento que precede o diálogo e faz toda a diferença: a intenção. Pessoas e organizações dão início a um processo de diálogo por diferentes razões. A primeira delas, mais elementar, é para se defender.

Nesse caso, a iminência de uma crise faz com que a gente comece a dialogar. Um casamento em risco chama uma conversa. Uma organização que interferiu na comunidade e desagradou seus moradores também.

Nesses dois casos, o início é sempre duro. Há um sentimento de desagrado no ar. A confiança foi quebrada e precisa ser restabelecida. Pode ser difícil, mas, como dizem, “é conversando que a gente se entende”, então vale a pena começar.

Em outros casos, o diálogo acontece quando temos a intenção de entender melhor o que se passa no nosso entorno para proteger ou melhorar nossa reputação. 

Um gestor busca conversar com seu time porque essa é uma função de liderança e ele sabe que será cobrado por isso. As empresas buscam entender seus stakeholders – empregados, sociedade em geral, imprensa, governo, clientes – porque sabem que eles afetam a sua operação e podem comprar mais seus produtos se for entendida como uma boa cidadã corporativa.

A intenção é boa, mas, assim como no primeiro caso, há uma necessidade de autoproteção.

Finalmente, há situações em que buscamos o diálogo porque acreditamos no potencial transformador dele. Porque temos um interesse genuíno na pessoa ou organização que está do lado de lá. As organizações que estão nesse estágio de abertura para o mercado, conseguem melhorar seus produtos, entender a necessidade de seus consumidores, “co-criar”, inovar. 

Gestores que buscam conversar com seus times porque estão de fato interessados nas ideias deles também tendem a construir confiança de uma maneira mais sólida.

Confiança não cai do céu. Não bastam ações esporádicas ou demonstrações ocasionais de interesse para com o outro.

Confiança se constrói no dia a dia, nas demonstrações cotidianas de atenção pelas questões que nos afetam e afetam a vida de quem convive conosco, seja na família, no trabalho, ou nas cidades.

O diálogo é nosso instrumento valioso, que nos permite acessar esse universo de particularidades que se entrelaçam na vida em sociedade. Ter consciência da interdependência de tudo que nos cerca nos abre um universo de oportunidades para fazer a diferença em qualquer esfera da vida que a gente queira.

E, o melhor de tudo, é que a gente precisa de bem pouca coisa para começar um movimento de diálogo, abertura e simpatia para com o outro.

Se você ficou com dúvida, eu tento ajudar: respira fundo, abre um sorriso e #vaicomtudo!


Texto publicado na edição nº 06 da Revista Cultura Colaborativa, escrito por Viviane Mansi relações públicas com mais de 15 anos de experiência em comunicação corporativa

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