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Liderança para gestores: integrar equipes e inspirar ideias

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“Em crise não há liderança partilhada. Quando o barco está afundando o capitão não pode convocar uma reunião para ouvir as pessoas, tem de dar ordens. Esse é o segredo da liderança partilhada: saber em que situações deve agir como chefe e em que situações atuar como parceiro. (…) A tarefa do líder é desenvolver líderes.” – Peter Drucker

Essa citação do Drucker resume muito da gestão empresarial contemporânea. Ainda estamos em um momento de mudança: muitas organizações gerenciam suas equipes como nos tempos de fordismo, com um chefe que só pensa em produzir mais e colaboradores que apenas prendem parafusos e moldam latarias na linha de produção.

O que motivou a mudança desse paradigma industrial foi o desenvolvimento das Ciências da Administração e, principalmente, a tão falada inovação. Para ter sucesso, é preciso pensar diferente. E para fazê-lo, é preciso ter um bom líder e uma equipe empreendedora.

Para uma empresa ser inovadora, é preciso estimular a geração de novas ideias e projetos internos. Isso só surge em organizações com líderes autênticos, que inspirem os colaboradores, criando um senso de colaboração dentro da equipe.

O especialista Malcolm Gladwell deixa isso bem claro em uma entrevista dada ao Valor Econômico, intitulada de maneira muito feliz pelo jornal: “Os CEOs não são mais os grandes heróis”. Para Gladwell, autor do livro “O ponto da virada”, os líderes devem ser, essencialmente, colaborativos. “Precisam ouvir o máximo de pessoas possível, conhecer diferentes visões e diferentes culturas”, sugere. E, como lembra muito bem o Drucker no início do texto, ele deve apontar o caminho a se seguir nos momentos mais turbulentos.

É por isso que vemos tantas startups de sucesso. As inovações que elas criam só surgem em um contexto colaborativo, com líderes que sabem estimular as competências dos colaboradores. Isso se aplica também às grandes empresas que reconheceram as limitações da gestão tradicional e apostaram em meios mais modernos de tocar o dia a dia da empresa. O papel do líder, em detrimento do chefe, é cada vez mais importante. Ele é o responsável por transformar cada colega em um CEO, com pensamento analítico e estratégico, com olhar de especialista e preocupação com o futuro da empresa.

Se você quer criar esse espírito dentro da sua organização, este artigo é para você.

Nesse artigo, fugimos um pouco do nosso tema tradicional – comunicação interna – para abordar o papel do novo líder dentro das empresas atuais. Abrimos o texto detalhando essa questão dos “colaboradores-empreendedores” em detrimento dos funcionários. Depois, mostramos os valores que você deve inspirar nos colegas (e como encontrá-los dentro do seu corpo funcional). Por fim, apresentamos algumas competências fundamentais para deixar de ser um chefe e passar a ser uma liderança autêntica, colaborativa e inovadora.

Esperamos que ao final você consiga inspirar esses valores dentro da sua equipe. Se você implementou na sua empresa algumas das práticas que abordamos neste material educativo, compartilhe conosco – mande seu relato e nós contaremos sua história no Blog da SocialBase. Exemplos de liderança devem ser mostrados – e compartilhados, tal qual um bom líder deve fazer.

Por que uma empresa precisa de menos funcionários e de mais colaboradores

Uma empresa atual, voltada para a inovação, deve zelar mais pela colaboração e rechaçar a figura do funcionário-padrão. Para entender essa mudança, precisamos estudar o conceito de gestão estratégica dentro das empresas. No livro Gestão estratégica: conceitos, modelos e instrumentos, Antônio J. Robalo Santos defende que esse modelo de gestão ocorre em duas etapas.

  1. Formulação da estratégia: aqui, define-se a missão e a visão da empresa. A partir disso, deve-se fazer uma análise da sua situação no mercado, dos componentes externos e do capital interno para identificar fraquezas e oportunidades da organização.
  2. Implementação da estratégia: após a etapa de mapeamento, faz-se uma seleção das ações estratégicas para atingir os objetivos de negócio mapeados no passo anterior, “dentro das limitações e oportunidades relacionadas com o seu ambiente interno e externo”, explica Santos.

Tanto na primeira quanto na segunda etapa, veja que o capital interno é essencial para a definição de uma estratégia empresarial. Você precisa olhar para a sua equipe, analisar suas expertises e, com elas, pensar em um novo rumo para a sua organização. E para que essas ideias apareçam, é preciso que as equipes sejam colaborativas.

É nesse cenário que surge a diferença entre um colaborador e um funcionário. A psicóloga Soia Esteves coloca a diferença entre esses conceitos no seu blog. Para ela, o funcionário resume-se a alguém que desempenha uma função dentro da empresa – papel bem parecido com a indústria descrita anteriormente. O funcionário executa a tarefa que lhe é atribuída e vai embora. Já o colaborador, segundo Soia Esteves, é “co-autor do processo, o que sugere um sentido mais amplo e dinâmico”, já que ele, naturalmente, colabora com os colegas e com a empresa.

Essa noção de compartilhamento é inerente ao processo de criação da inovação. Quem aponta isso muito bem é o professor Neri dos Santos, docente do Departamento de Engenharia e Gestão do Conhecimento da Universidade Federal de Santa Catarina. Em um webinar feito com exclusividade para a SocialBase, o prof. Neri foi categórico: pela ótica da gestão do conhecimento, uma empresa só será inovadora se o seu corpo funcional estiver apto. Um protótipo (seja de produto, serviço ou processo interno) só poderá amadurecer com contribuições externas – se não, ele nunca deixará de ser uma ideia e, consequentemente, não se torna inovação.

Baseados nisso, os gestores devem identificar, valorizar e estimular essa postura colaborativa entre todos da equipe. O autor José Carlos Assis Dornelas expões isso em seu livro Empreendedorismo corporativo. Segundo ele, a estrutura clássica das organizações, moldada em “pequenos feudos organizacionais”, não privilegia a inovação, já que, como colocamos acima,   o conhecimento não é compartilhado. Os executivos das empresas, segundo Dornelas, devem procurar colaboradores com esse perfil dentro do corpo funcional, “pois estes trarão contribuições indispensáveis para as realizações da empresa”. E, para estimular o desenvolvimento dessas competências nas equipes, pode-se “incentivar um comportamento empreendedor” internamente.

Liderança entre os colaboradores: a importância do perfil estratégico

Um gestor de empresa deve procurar, dentro do seu corpo funcional, pessoas com perfil de liderança. É importante destacar que um  “líder”, dentro da nossa visão, não é um cargo, e sim uma competência de pessoas colaborativas, que pode ser encontrada em qualquer departamento, independentemente de cargos de chefia. No livro Empreendedorismo corporativo, José Dornelas sugere que “a liderança pode e deve estar presente em todos os níveis da organização, pois esta é uma forte característica empreendedora que leva as pessoas a buscarem novas formas de fazer as coisas”.

Na entrevista dada ao Valor Econômico, citada na introdução deste artigo, Malcom Gladwell diz que deve-se buscar e cativar pessoas com alto “potencial de realização”. Colaboradores com esse perfil têm as seguintes características:

1. Empoderados de conhecimento

Os colaboradores devem ir além das suas competências técnicas, buscando novas áreas para se aprofundar e mais informações para enriquecer seu repertório. Para isso, a empresa e os gestores devem dar oportunidade para o desenvolvimento intelectual das suas equipes. Isso ocorre com universidades corporativas, cursos de capacitação e espaços para leitura e compartilhamento de conhecimento.

2. Alinhados com os valores internos

Os colaboradores com perfil de liderança devem conhecer e interpretar a missão, a visão e os valores da empresa. Lembre-se que esses fatores são essenciais para uma gestão estratégica que gere inovação, como destacamos anteriormente.

Nesse ponto, a empresa precisa estar disposta a disseminar seus valores. Isso deve ocorrer de forma explícita – colocando esses preceitos em vários locais da empresa – e implícita, nas entrelinhas dos discursos e ações internas. Pense no exemplo do Google: a companhia não precisa dizer, a todo momento, que é uma empresa inovadora. Suas ações falam por si. Faça isso na sua empresa também e suas equipes estarão altamente alinhadas com os preceitos internos.

3. Dotados desse senso de participação na empresa

Aqui entra a faceta mais colaborativa do líder. As contribuições são fundamentais para moldar uma ideia dentro da empresa. Os colaboradores devem ter noção disso, sentindo-se parte do processo de criação e geração de valor, e não apenas na produção/entrega. Nesse ponto, é preciso implementar discursos e práticas que mostrem a todos como a contribuição deles é importante.

Essas três competências aparecem de forma explícita, nas atitudes cotidianas dos colaboradores, e de maneiras implícitas. A especialista Patrícia Bispo aponta, neste artigo publicado no Portal RH, que os gestores devem ficar mais atentos a esse tipo de profissional e cativá-lo para que ele inspire os colegas. Para identificar esse tipo de profissional, você pode usar algumas técnicas:

  1. Criar programas de gestão e estímulo a liderança: nesse ponto, o departamento de RH pode organizar programas para desenvolver e despertar novos líderes dentro da sua empresa;
  2. Identificar os “influenciadores”: os nomes dos líderes circulam muito dentro da conversa com suas equipes e tente identificar quem são esses formadores de opinião internos. Em muitas ocasiões, o diálogo é o caminho mais simples;
  3. Contar com sistemas que facilitem essa identificação: algumas plataformas de comunicação interna permitem identificar o perfil e as preferências dos colaboradores. Você pode criar, por exemplo, um espaço virtual de convivência e medir o grau de participação e engajamento das equipes.

Liderança para gestores: inspirar equipes e ideias

Agora que você conhece as características fundamentais para um líder, é preciso encontrá-las e estimulá-las internamente. Nessa etapa, o gestor tem papel importantíssimo e deve começar mudando as próprias atitudes.

O primeiro passo para ser um gestor mais colaborativo é com a mudança de visão sobre o seu próprio papel dentro da empresa. As autoras Caroline da Cunha e Marilda da Silva apontam essa questão muito bem neste artigo acadêmico sobre o papel da liderança. Segundo elas, é preciso diferenciar o chefe que detém poder (ou seja, que está num cargo de gerência e, por conta dele, pode influenciar outras pessoas) e do líder que tem autoridade: pessoa que, naturalmente, é destacada dentro da organização e consegue inspirar os colegas com suas ideias.

O gestor deve buscar a liderança, independentemente do seu cargo. Esse papel destacado e influenciador dentro da equipe deve vir de forma orgânica – assim, fica mais simples inspirar nas equipes o senso de inovação e participação na empresa. Como aponta esta reportagem do Valor Econômico, o gestor deve saber ouvir as pessoas e conduzi-las para as metas e objetivos traçados. Em momentos de crise, sua autoridade natural deixa as equipes mais tranquilas e ajuda a transpor o desafio apresentado (como sugere a citação de Peter Drucker).

Mas quais competências o gestor deve buscar para ser, efetivamente, um líder? Para poder inspirar nos colaboradores todas as características que listamos no capítulo anterior (e para ser influente dentro da organização), um executivo deve assumir, pelo menos, quatro papeis:

a) Ele é responsável pelas pessoas da equipe (e pelo seu bem estar dentro da organização)

Pressionar as equipes em nome de metas e resultados pode trazer um benefício de curto prazo, mas desgasta as relações internas e, no longo prazo, só cria mais turnover e insatisfação. Pensando nisso, o gestor deve zelar pelo bem estar e pelo bom andamento dos trabalhos, ajudando as pessoas a desenvolverem suas atribuições internas sem prejuízos a sua vida pessoal.

b) Ele precisa transmitir os valores institucionais para todos (e estar disposto a ouvir)

Os gestores são fundamentais no compartilhamento da missão, visão e valores corporativos. Seu público interno deve ganhar o mesmo respeito e atenção do público externo. Se um CEO fala com jornalistas sobre um novo produto, deve estar disposto a falar com colaboradores sobre um novo projeto (e deve ouvir críticas e sugestões, sem pudores).

c) Ele deve dar oportunidades para que as equipes tenham acesso e criem conhecimento

Aqui, cabe trazer a visão do líder como coach apresentada por Marshall Goldsmith, Laurence Lyons e Alyssa no livro Coaching: o exercício da liderança. Os executivos devem estimular o aprendizado próprio, bem como o aconselhamento e a formação das suas equipes. Eles devem criar “uma oportunidade de se engajarem em um diálogo de desenvolvimento (…). O coaching dá suporte ao aprendizado do executivo e organizacional”, segundo os autores.

d) Ele deve dividir e assumir responsabilidades com as equipes

O bom líder não se resume a delegar tarefas e cobrar resultados. Ele participa do processo produtivo e, se necessário, coloca a mão na massa nos momentos críticos. Isso tudo sem deixar de lado o senso de responsabilidade das equipes, mostrando a elas como são importantes dentro da empresa.

Conclusão

Por mim, segue um breve resumo do que abordamos neste artigo:

  • Liderança é essencial para a inovação e para o desenvolvimento de uma empresa.
  • Sob o ponto de vista da gestão da inovação, práticas e produtos inovadores só surgem com o compartilhamento. Por isso, é preciso estimular esse senso de colaboração internamente.
  • A colaboração é essencial para a liderança. Ambos são essenciais para uma gestão estratégica. Por isso que é mais importante você ter colaboradores do que funcionários.
  • Para estimular a colaboração dentro da sua equipe, é preciso dar espaço para adquirir e compartilhar conhecimentos, empoderarmos colaboradores com um senso de importância dentro da empresa e alinhar as equipes com os valores internos.
  • O gestor precisa deixar de ser chefe para se tornar líder, com uma autoridade que surge de forma natural.
  • Para estimular a liderança, o gestor precisa: se responsabilizar pela equipe, dar oportunidades para formação, transmitir valores, ouvir feedbacks e assumir responsabilidades junto com o time.

Esperamos que, com esse artigo educativo, sua equipe tenha mais líderes. Para isso, você precisa de gestores com autoridade e liderança – com as orientações dadas nesse artigo, é possível encontrá-los. Desenvolver liderança não é simples, mas é uma competência a se buscar. Para ser inovador, não basta ter boas ideias, é preciso ter equipes brilhantes.

Obrigado pela leitura e até a próxima!

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Sobre o autor

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Blog da SocialBase, para instruir o mercado com relação a importância da comunicação interna bem planejada e incentivar a conexão verdadeira entre pessoas e empresas.

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