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“Pessoas no centro das organizações” e outros 6 takeaways do evento Talks 2018

O que acontece quando profissionais experientes de comunicação interna se reúnem para compartilhar conteúdo, cases e insights?

Um evento como o Talks 2018! O Congresso de Comunicação interna promovido pela FALE Consultoras, que reuniu mais de 60 profissionais das áreas de Comunicação Corporativa, Recursos Humanos e Marketing, responsáveis por planejar, implantar e conduzir processos de comunicação interna e endomarketing, em empresas de diversos portes da região Sul do Brasil.

O dia foi super intenso, repleto de trocas, aprendizados e imersão profunda em temas da comunicação – sem falar do networking.

Como não poderia ser diferente, a equipe da SocialBase esteve presente. Compartilhamos abaixo os principais takeaways – pontos chaves que merecem ser relembrados e as ideias que precisam estar na mente (e serem colocadas em prática!) no dia a dia de quem trabalha com comunicação interna:

#1 Quer inovar na comunicação?  Mude o mindset

Na abertura do dia, Guto Niche, Coordenador do Projeto Google for Education na Universidade LaSalle, trouxe o tema “Vai dar Match? Estímulos para o Comportamento na Cultura Digital” falando sobre como a mentalidade que rege as organizações precisa evoluir na indústria 4.0.

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Mudança de mindset é a chave para entender a complexidade e conseguir comunicar melhor!

Com uma apresentação bem humorada, Guto explicou sobre temas complexos e a necessidade de evoluirmos nosso modo de pensar analógico, para acompanhar a transformação digital que está acontecendo no mundo contemporâneo, onde alguns conceitos como:  linearidade; comunicação “dentro” e “fora” da organização; vida profissional versus pessoal; e propósito, estão cada vez mais fluídos.

Para a comunicação interna, a principal reflexão foi acerca de como é possível se conectar verdadeiramente e passar informações relevantes de maneira efetiva em tempos de uma disputa por atenção constante.

Só se comunica com pessoas, quem conhece pessoas”

Neste sentido, Guto trouxe que a comunicação só será efetiva quando o discurso interno tiver sentido e significado no contexto organizacional, e isso irá acontecer quando ela for um meio de criar pontes, estabelecendo um diálogo coerente entre discurso, ações e atitudes dentro da empresa.

Quando a comunicação interna atinge esse ponto em uma organização, ela ecoa e se perpetua, ajudando o ambiente organizacional a ver o mundo de maneira diferente, dando potência aos colaboradores para agir, e reinventando o relacionamento empresa-colaborador.

#2 Fator Humano: aumenta o retorno e torna os negócios mais competitivos

Alejandra Nadruz, da Agibank, compartilhou um pouco de sua experiência com um case de Employee Experience (EX) na empresa DCG, falando sobre como a comunicação permeia todo o processo sustentando o discurso, e melhorando o diálogo interno dentro da companhia para alcançar a satisfação dos colaboradores.

O termo Employee Experience apareceu pela primeira vez em 1998 no livro “A Economia da Experiência”, mas está em alta nos dias atuais pois as empresas têm percebido que não é possível proporcionar uma boa experiência aos clientes, se isso não é proporcionado aos colaboradores, afinal, quem cuida do cliente, é o colaborador.

Segundo Alejandra, para se começar a trabalhar Employee Experience em uma organização, é necessário que dois pilares estejam bem estabelecidos:

  • Ter uma cultura de gente, descobrindo e conectando o propósito das pessoas ao propósito maior do negócio, com a ajuda da comunicação;
  • Conscientizar sobre a importância do EX para o negócio, sensibilizando diretores sobre como o fator humano é um diferencial competitivo em uma organização e investir nisso traz retorno financeiro;

Com base nesse pilares, a estratégia de EX acontece em todos os pontos de contato da pessoa, desde quando ela começa a interagir com a empresa em redes sociais, sites de carreira e etc, até ao processo de integração do funcionário dentro da organização.

Algumas dicas de Alejandra para emplacar um projeto de EX na sua empresa e começar a sensibilizar a alta liderança:

  • Idealize o projeto elencando ganhos;
  • Projete com os colaboradores, não para os colaboradores;
  • Escute o colaborador antes de pressupor como é sua jornada;
  • Utilize design thinking para experimentar, errar e tirar aprendizados;
  • Hipóteses são diferentes de vivências e experiências. Se for possível, faça uma imersão na rotina do colaborador;
  • Mapeie a jornada do colaborador completa, elencando dores e problemas;
  • Faça validações em grupos;
  • Escute histórias, pergunte sobre sentimentos, percepções e porquês;

Além de Alejandra, Elenise Rocha, Diretora da RB Learning, também falou sobre o tema EX e como a aplicação de metodologias de Service Design podem contribuir na hora de mapear a jornada do colaborador, utilizando ferramentas como jobcrafting, mapa de empatia, LEGO® SERIOUS PLAY® e gamificação.

#3 Engajamento: chave para beneficiar colaboradores e empresas

A psicóloga Claudia Vergara, Gerente de Desenvolvimento de Pessoas na Celulose Inarin S/A, ministrou uma Oficina de Engajamento que prendeu o público. Já no início, os participantes puderam dar a sua opinião sobre “o que é engajamento?” para construir uma nuvem de palavras:

fale talks nuvem de palavras engajamento
O que é engajamento? Nuvem de palavras montada ao vivo pelos participantes durante a oficina

Cláudia também falou sobre a parte conceitual do que constitui o engajamento dentro de uma organização:

  • Engajamento é diferente de comprometimento, uma vez que engajamento tange os aspectos físicos, comportamentais, afetivos e profissionais de um indivíduo;
  • Engajamento é diferente de adição ao trabalho, ou de ser workaholic;
  • Como a cultura da empresa estimula (ou não!) os funcionários a se engajarem na forma como ela se comunica;
  • Como a liderança tem um papel fundamental de engajar os colaboradores, inspirando, tomando boas decisões, comunicando de forma aberta e reconhecendo seus talentos.
  • O modelo RDT, uma abordagem para entender as causas do engajamento baseadas em equilibrar recursos internos (da personalidade do profissional), recursos externos (condições do ambiente) e demandas do trabalho;

Cláudia em sua oficina abordou o engajamento não só como uma meta organizacional, que beneficia empresas, mas também como algo que beneficia o próprio colaborador visto que quando está mais engajado ele tem menos chances de sofrer um acidente de trabalho ou adoecer, tem mais resistência ao stress, erra menos nas suas atividades, fica mais confiante com seu trabalho e aumenta seu estado flow.

Ao fim da oficina, os participantes realizaram o teste “Estou engajado ou Adicto?” composto por perguntas e uma somatória de pontos que indica o nível de engajamento do indivíduo.

#4 Comunicação para manter a coerência entre discurso e prática

Fernando Lemos, Gerente de Comunicação e Marketing na Grêmio Náutico União, falou sobre como a comunicação interna precisa ser ressignificada nas organizações para acompanhar o ritmo atual da sociedade, mantendo coerência entre discurso e prática.

Para isso, é necessário refletir sobre as práticas de comunicação, não desenvolvendo um novo manual, mas entendendo como a comunicação deve se aplicar à realidade de cada empresa para trazer resultados dentro daquele contexto específico.

Fernando trouxe alguns pontos para reflexão:

  • A importância de os profissionais de comunicação entenderem a relação sociedade x pessoas x empresas, que gera uma necessidade de humanização das organizações – já que o trabalho ocupa uma posição de centralidade na vida do ser humano hoje;
  • O modo como a comunicação acontece com os colaboradores (ou a falta dela) têm grande importância e impacto na vida das pessoas que constituem uma organização, pois a comunicação é algo que media relações, incluindo as de trabalho.
  • Como o mau uso de ferramentas de comunicação para transmitir informações favorecem o ruído de comunicação, e como não devemos colocar todas as expectativas apenas na tecnologia para resolver esses problemas de comunicação;

Além disso, Fernando trouxe o conceito de alteridade aplicado à comunicação. Alteridade é um termo abordado amplamente na filosofia e na antropologia sobre como o homem em sua vertente social tem uma relação de interação e dependência com o outro. Por esse motivo, o “eu” na sua forma individual só pode existir através de um contato com o “outro”.

Na comunicação, a empresa pode ser interpretada como o “eu”, e os colaboradores como “o outro”, e a relação de interdependência entre ambos precisa ser empática, baseada no diálogo e na valorização das diferenças.  

#5 Diversidade é convidar para a festa, inclusão é tirar para dançar

Diversidade e horizontalidade não poderiam ficar fora das pautas de comunicação interna durante o dia.

Clarissa Daroit, Gerente de Comunicação, Diversidade e HR Business Partner na ACGO, trouxe um case prático sobre como a comunicação horizontal tem funcionado na facilitação de mudanças constantes dentro da organização.

Em sua apresentação, Clarissa trouxe a importância de saber se comunicar com cada público, seja considerando o perfil DISC, a localização geográfica, os dados demográficos ou a diversidade geracional que está crescendo cada vez mais nas empresas.

As novas gerações são “dialogadoras, inclusivas, têm um maior senso de comunidade, e um grande poder de mobilização, ou seja, são muito mais relacionais. Considerando esse novo público, Clarissa contou, em seu case, como a comunicação pode ser mais criativa e efetiva  (muitas vezes, sem muita verba!) para gerar resultados.

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Dani e Marcos compartilhando o case de diversidade!

Clarissa mostrou um pouco dos desafios reais da sua organização: uma multinacional que possui unidades geograficamente dispersas com culturas distintas, uma grande demanda por alinhamento, por mudança de atitude e que está constantemente em expansão – e como esses desafios foram vencidos com estratégias on e off-line, construídas em conjunto com as lideranças locais, que geraram reflexão, promoveram diálogo e foram desdobradas para as equipes.

Dentre as temáticas que foram trabalhadas pela comunicação, por meio de campanhas e eventos, estavam: machismo, equidade de gênero, representatividade feminina no ambiente de trabalho, privilégios e desigualdade social. Nas campanhas de comunicação, segundo Clarissa, sempre foram aplicadas pesquisas que comprovaram 100% de satisfação dos participantes, que tornaram-se agentes de mudança dentro da empresa.

Ao final, Clarissa destacou a importância da área/profissional de comunicação na condução do trabalho, não como algo operacional, que apenas executa, mas como uma área altamente estratégica que ajuda a organização a se comunicar melhor.

Logo depois, Daniela Maria Medeiros, Consultora de edução corporativa na Casagirassol, em sua apresentação sobre Diversidade Organizacional falou sobre como uma abordagem apreciativa pode ser um caminho dentro das empresas para aprofundar esses temas. Daniela trouxe como case o trabalho realizado na Usina Riograndense – Gerdau Sapucaia do Sul, onde o Engenheiro Metalúrgico Marcos deu seu depoimento sobre como essa técnica obteve resultados positivos na organização.

Na apresentação do case, Marcos compartilhou sua experiência de quase 2 anos e 7 meses liderando colaboradores da operação na fábrica, que foram positivamente impactados pelo trabalho do programa de diversidade conduzido na empresa, no qual as pessoas passaram por uma sensibilização sobre empatia, lugar de fala e até o processo de recrutamento interno passou a ser feito “às cegas”.

Daniela trouxe muitos dados e conceitos sobre diversidade, falou sobre viés inconsciente – como ele está sempre presente e como podemos começar a desconstruí-lo – direitos humanos, representatividade, equidade de gênero, raça, classe social, e sobre o fato de que ¾ da força de trabalho do mundo está nas organizações e, portanto, as empresas devem ser locais onde debates sobre diversidade aconteçam.

Além disso, Daniela também mostrou como a diversidade beneficia à todos na organização – com mais urgência para minorias – mas levando em conta que falar de diversidade é falar de negócios e de resultados pois, assim como colaboradores são diversos, clientes também são e demandam que as empresas sejam cada vez mais plurais.

#6 Rede Social Corporativa: a ferramenta que conecta toda a organização

Rada Martini, CEO da SocialBase, em sua apresentação falou sobre como a comunicação interna pode trabalhar alinhada com estratégias de People Analytics na organização para medir e aumentar o engajamento do público interno.

O trabalho de People Analytics no RH começa com a coleta, organização e análise de dados sobre o comportamento dos colaboradores, com o objetivo de apoiar a alta gestão nas tomadas de decisão, observando tendências, antecipando fatos e aprimorando estratégias.

Quando bem estruturada em uma organização, com indicadores e métricas, a comunicação interna torna-se uma fonte de dados riquíssima para a aplicação do conceito de people analytics, principalmente se a ferramenta utilizada for uma Rede Social Corporativa.

Isso porque, a resposta das pessoas às campanhas de comunicação, traduzidas nos números fornecidos pelos relatórios da rede podem ser incorporados às bases de dados na aplicação de People Analytics. Além disso, Rada também apresentou cases de clientes que utilizam a Rede Social Corporativa desenvolvida pela SocialBase para esse tipo de estratégia, e outros casos de uso como: colaboração; integração entre equipes e unidades; mudança cultural e fomento à inovação.

Alice Orofino e Rafaela Richter, responsáveis pela comunicação interna no Sicredi, também apresentaram seu case de Rede Social Corporativa funcionando na prática para conectar os colaboradores.

Simples, próximo, ativo – esse é o novo jeito de comunicar do Sicredi utilizando a ferramenta para gerar engajamento entre as áreas de Gestão de Pessoas/RH, líderes e colaboradores em geral.

Com a rede a comunicação é mais participativa e descentralizada, leva conteúdo estratégico por meio das campanhas institucionais da empresa e das lideranças, e operacional pois cada colaborador pode compartilhar os destaques da sua área ou do seu time.

Como principais benefícios do uso da rede social corporativa para a comunicação interna, a dupla do Sicredi destacou o trabalho de integração das pessoas, de fortalecimento da cultura organizacional em momentos de mudança, a existência de facilitadores, embaixadores, e da participação da lideranças em uma comunicação mais democrática.

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#7 Pessoas no centro das organizações como estratégia de comunicação

Por fim, mas não menos importante, Juliana Azeredo, Coordenadora de Comunicação na Sodexo On-site, apresentou o case da Sodexo Brasil de Comunicação Integrada para comemorar os 40 anos da companhia.

A proposta central da campanha foi colocar colaboradores e clientes como protagonistas da história, e toda a execução foi conduzido pela área de comunicação interna em colaboração com outras áreas do negócio e fornecedores.

O início da campanha já ditou o tom participativo: para escolher o slogan, a Sodexo pediu sugestões aos seus colaboradores, que depois votaram na frase que mais representava o tom da mensagem. Além disso, a campanha foi composta por diversas peças gráficas, on e off-line, e aconteceu simultaneamente interna e externamente para o mercado e os colaboradores em uma abordagem multicanal.

Um dos pontos altos foi a websérie divulgada nas redes sociais, com colaboradores e clientes contando como a sua história se conecta com a história da Sodexo, onde as definições de público interno e externo foram redefinidas para a empresa. As peças de campanha em vídeo com os colaboradores deram tão certo nas redes sociais que o alcance da Sodexo aumentou exponencialmente e, nos comentários, colaboradores manifestavam abertamente seu carinho pela empresa, tornando-se defensores e embaixadores da marca.

A chave do sucesso, segundo Juliana – além do trabalho duro de toda a equipe realizou a campanha – foi a ideia de colocar as pessoas centro, não só da campanha, mas da empresa, não importa se elas eram um público interno ou externo, colaboradores ou clientes.

E aí, o que você achou dos conteúdos do evento? Deixe suas percepções nos comentários 😉

 


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